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"Objetos da Resistência Negra", de Carolina Cabral, resgata uma das histórias mais impactantes e pouco conhecidas do Brasil oitocentista. A partir de uma extensa pesquisa histórica, Carolina Cabral revela como objetos sagrados de religiões de matriz africana, confiscados em violentas incursões policiais entre 1880 e 1887, foram incorporados ao acervo do Museu Nacional, formando a chamada Coleção Polícia da Corte. Muito mais do que narrar a trajetória desses artefatos, a autora reconstrói o contexto de perseguição sofrido por africanos e seus descendentes no Rio de Janeiro às vésperas da Abolição. Por meio de documentos inéditos, registros policiais, jornais da época e relatos de personagens como Quintino e Leopoldina, a célebre "Rainha Mandinga", o livro evidencia como a repressão à religiosidade afro-brasileira fazia parte de um projeto de controle social, racial e cultural. Ao devolver voz aos verdadeiros protagonistas dessa história, a obra transforma objetos antes silenciados em testemunhos de resistência, memória e identidade. Uma leitura indispensável para compreender as raízes da intolerância religiosa no Brasil, a preservação do patrimônio afro-brasileiro e a extraordinária força das culturas negras na construção da história nacional.
CAROLINA CABRAL é doutora (2023) e mestre (2017) em História pelo PPPGH/UFF; licenciada e bacharel em História pela PUC/RJ (2013). No Museu Nacional, foi bolsista CNPq junto ao projeto "Processos de ressignificação de memórias étnicas", dirigido pelo prof. João Pacheco de Oliveira (2012-2014); e membro da equipe da exposição "Kumbukumbu: África, memória e patrimônio" (2012-2014), com curadoria da profa. Mariza Soares. Atualmente, integra o grupo CULTNA - Culturas Negras no Atlântico/UFF e o EGBÉ, grupo de pesquisas sobre afro religiosidades. É uma das idealizadoras do "Podcast Atlântico Negro", uma iniciativa de jovens historiadores negros que estabelecem pontes entre os saberes sobre história e cultura africana e afro-brasileira dentro e fora da academia.